O Casamento
current song: The Smiths - What difference does it make?
...falando sobre casamento(s)
Um dia desses que passou, recebi um convite de casamento. Não, não me propuseram em casamento, mas me convidaram para um. E eu de início me empolguei. Eu era conhecido do noivo, e muita estima tenho pelo rapaz. Um bom amigo e futuro colega de profissão nesse caminho quixotesco que escolhi para mim.
No entanto, martelei algo nos dias seguintes. Coisas sobre casamentos. E isto, obviamente se agravou ontem ao ver a noiva subindo ao altar com toda aquela pompa e toda aquela emoção familiar, junto com os lírios dos arranjos que eu resolvi levar aos montes para a festa depois.
Por que as pessoas se casam? Eu sei que a cerimônia é linda e todos estavam bem arrumados. Em verdade, provavelmente será uma das únicas vezes que verei historiadores de terno e gravata. Existe toda uma mística por trás do uso da gravata e dos vestidos longos que eu tentei em vão descobrir ao longo da noite. A verdade é que todos estavam impecáveis, assim como a cerimônia e obviamente a medida que a festa se seguia todos se libertavam e com o tempo, estavam um caco ao fim da noite. Mas quem se importa, não?
Casamento tem destas coisas. Quer dizer, nem sempre.
O casamento na Roma antiga no período republicano era meramente contratual. Era estimulado, inclusive, que se você desejasse prazer e afeto que o fosse procurar fora do casamento. Com o tempo isso foi se esquecendo, talvez pela falta de pessoas dispostas a dar-te prazer sem algo em troca ( se bem que eu realmente acho que o dote era algo bom para se dar em troca), e o casamento de meramente contratual ganhou contornos de amizade e com o tempo de amor. Se antes o casamento era apenas uma forma justa perante a sociedade de enriquecer, com o tempo acabou por ganhar um benefício novo em suas clausulas: O amor mútuo.
Mui belo, inclusive. Os séculos se passaram e chegamos ao cumulo do que vemos hoje em dia, as pessoas se casam por amor apenas. Conseguimos fazer de tal forma que o amor se desvencilhou de sua base contratual familiar. E hoje estou eu aqui, jovem e sonhando com futuro acadêmico, com História e arqueologia enquanto amigos meus se casam.
E isso pode parecer assustador. Eu me sinto mais confortável analisando instituições romanas da antiguidade ou fazendo releituras de casamentos na Irlanda pré-cristã, mas a verdade, é que nada é mais bonito do que ver uma noiva entrando no altar, de ver os passos nervosos do noivo no tapete vermelho e da emoção de ver um casal se entregando em fidelidade e amor. Isso não tem nada com casamento. Isso poderia ser feito de outras formas. Isso não acontece comigo, nem acontecia na Roma antiga. Mas acontece ainda e isso me faz ver que talvez o mundo não seja tão cinza assim. Afinal, pessoas se casam.
Talvez o Erick não se case, talvez nem você que está lendo isso um dia vá se casar. Mas que é danado de bonito ver alguém com postura a ponto de se entregar para alguém assim, isso é.







olha, eu espero sinceramente que eu me case porque é uma espécie de meta...
=*,
ana.